Posted on: sex, 07/12/2019 - 10:21 By: Cesar Brod

Image removed.Quando as pessoas do time já estão bem entrosadas e sentem-se livres para falar abertamente, uma dinâmica que gosto de empregar é a do "herói da minha infância". Até onde sei, essa dinâmica é criação minha, mas certamente foi inspirada em muitas coisas que já fazem parte da minha memória e repertório e, assim, como qualquer criação, ela é coletiva.

Ao iniciar a retrospectiva, peça que as pessoas recordem de sua infância, daquele personagem fictício ou real que foi o seu herói. Peça que lembrem suas características e as razões de seu amor por seu herói. Caso a equipe tenha dificuldade, exemplifique com seu próprio personagem preferido. No meu caso, o Super Dínamo (o nome já tem a ver com dinâmica).

O Super Dínamo era a identidade secreta de Mitsuo, um garoto que combatia o crime no japão junto com outros fiéis escudeiros (o Esquadrão Dínamo). Mas, como era um garoto, para ajudar a esconder a sua identidade de super herói, ele possuía um robô cópia. Assim, a cada vez que saía para uma missão, ele acionava o robô (idêntico a ele, com a exceção de seu nariz preto que a mãe de Mitsuo nunca notava) que ficava em casa realizando tarefas mais mundanas como brincar e fazer lições de casa. Já pensou que bacana poder sair pelo mundo fazendo apenas coisas significativas e deixando um robô cópia fazendo relatórios de despesas e outras coisas chatas?

Depois que cada um falou sobre seu personagem preferido, mude o cenário. Peça que pensem que, agora, é seu herói que é um membro da equipe e que, mesmo com todas as suas habilidades, ele merece ouvir um conselho para que o trabalho de todos possa ser ainda melhor, mais leve, divertido, agradável e, por isso mesmo, mais produtivo. O conselho é para o seu herói, mas pensando em toda a equipe e no que aconteceu durante todo o Sprint.

Sempre começamos qualquer retrospectiva sabendo que chegamos até aquele ponto fazendo, cada um e em equipe, o que foi possível fazer, exercitando o melhor de cada um e que, mesmo assim, sempre é possível melhorar um pouco mais. Essa retrospectiva é poderosíssima pois começa nos ancorando em momentos felizes da infância. Mesmo que a infância de um ou outro não tenha sido a ideal, a identificação com um herói de TV, de quadrinhos e, em alguns casos, da vida real (Ayrton Senna costuma pipocar nessas retrospectivas, por exemplo) pode até ter representado uma fuga, mas ela foi para um lugar feliz. Ao trazer a figura do herói para o momento em que ele se transformou em um membro da nossa equipe e temos que dar um conselho para que ele seja ainda melhor, fazemos duas coisas:

  • ancoramos nossa retrospectiva a momentos felizes de nossa vida, criando uma área de conforto compartilhada por todos;
  • projetamos, na figura do nosso herói, agora como membro da equipe, o que é necessário para melhorarmos como grupo.

Temos sempre em mente que a retrospectiva não é para apontar dedos, mas para melhorar como equipe. Ainda assim, não é raro que nesse momento surjam conselhos que acabem por servir melhor para um ou outro indivíduo da equipe, mas essa é uma carapuça colocada individualmente, sem alarde e ressalto, individualmente. Toda a equipe ouve os conselhos aos super heróis e, a partir desses conselhos, irá melhorar no próximo ciclo.

Como parte final da retrospectiva, o Scrum Master da vez se encarrega de imprimir as imagens dos personagens e deixá-las coladas próximas ao Scrum Board. Não é preciso escrever os conselhos para elas em nenhum lugar. Apenas as imagens já farão a ligação forte com o momento da retrospectiva e com todos os pensamentos despertados por ela.

[TODO: Ordenar corretamente no livro depois de concluído]